quinta-feira, 7 de março de 2019

Um Pouco de Política, Economia e Crise – como elas afetam o mercado. | Prof. Semí Cavalcante de Oliveira

O Governo de Jair Bolsonaro tem apenas 2 meses de vida e já protagonizou várias “micro” crises e dá a impressão que está se esforçando ao máximo para fazer oposição a ele próprio. Mesmo porque os partidos de oposição, principalmente o Partido dos trabalhadores (PT), não estão cumprindo seu papel histórico, que é fazer oposição ao governo constituído. Uma vez que esses referidos partidos foram derrotados nas eleições presidenciais de 2018, esperava-se que eles cumprissem sua missão histórica, que é fazer oposição.
Talvez de uma forma subliminar, a oposição no Congresso ao governo Bolsonaro, tem percebido que não é necessário fazer muita coisa, já que os integrantes do governo, familiares e o próprio Presidente Jair Bolsonaro se encarrega dessa missão. Vamos analisar apenas três fatos que demonstraram que a equipe montada pelo governo não está sintonizada, além de evidenciar que é extremamente sensível a pressões externas.
1 – O caso envolvendo o Ministro chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, o Vereador da cidade do Rio de Janeiro e filho do Presidente, Carlos Bolsonaro e o Presidente da República.
O conflito entre o Presidente Bolsonaro e o Ministro Chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, provocou inquietações entre membros do governo e a base do governo no Congresso. O episódio, que tem suas gênesis em suspeitas de financiamento de candidaturas “laranjas” pelo PSL, partido que abrigou a candidatura do Presidente Jair Bolsonaro, e discordâncias remotas entre o referido ministro e o vereador Carlos Bolsonaro. Essa crise chegou ao seu ponto de ebulição após o presidente admitir a possibilidade de Bebianno ser obrigado a deixar o governo. O Vereador e filho do Presidente, chamou o Ministro de Estado de Mentiroso, que não reflete a realidade, e teve o apoio do pai, que endossou a artimanha do filho.
 A crise ocorreu em um momento delicado, já que o governo tenta manter união para as negociações da pauta de votação mais importante no congresso, a da Reforma da Previdência. Que o governo tem chamado de a “Nova Previdência”, que segundo seus defensores, irá proporcionar aos cofres públicos uma economia de 1 trilhão de reais em 10 anos.
2 – Ministro de Estado da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, diz que errou ao pedir filmagem de crianças cantando hino sem permissão dos pais.
Mais uma “saia justa” para o Governo de Jair Bolsonaro e consequentemente mais uma “micro” crise minando as bases desse governo que já demonstrou em 2 meses de vida que não tem suas bases fincadas em terreno muito sólido. 
O Ministério da Educação enviou e-mail para escolas pedindo a leitura de uma carta do Ministro e em seguida seria executado o Hino Nacional. Os estudantes seriam filmados durante o ato. Esse fato gerou fortes críticas de parlamentares tanto oposicionistas como da base de apoio do governo, motivou uma representação desses ao Ministério Público, além de um processo de apuração pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.
O que aconteceu foi o seguinte de acordo com a imprensa:“O Ministério da Educação (MEC) enviou um e-mail para as escolas do país pedindo a leitura de uma carta do ministro e orientando que, logo após, os responsáveis pelas escolas executassem o Hino Nacional e filmassem as crianças durante o ato. A carta é encerrada com as frases "Brasil acima de tudo" e "Deus acima de todos", que foram o slogan da campanha do presidente Jair Bolsonaro nas eleições.
 Ricardo Vélez Rodríguez, reconheceu que errou ao pedir que as escolas filmassem as crianças cantando o Hino Nacional, sem a autorização dos pais. "Eu percebi o erro, tirei essa frase, tirei a parte correspondente a filmar crianças sem a autorização dos pais. Evidentemente, se alguma coisa for publicada, será dentro da lei, com autorização dos pais".
Em uma audiência no Senado, Vélez foi arguido por senadores sobre o conteúdo da carta enviada às escolas e repetiu que se tratou de um erro. “Cantar o Hino Nacional não é constrangimento, não. É amor à pátria”, disse. E acrescentou: “O slogan de campanha foi um erro. Já tirei, reconheci, foi um engano, tirei imediatamente. E quanto à filmagem, só será divulgada com autorização da família”.
A partir dos questionamentos da senadora Eliziane Gama (PPS-MA) sobre a passagem de que a autorização da família não constava do texto original da carta, o Ministro Rodrígues respondeu que constava "como algo implícito dentro da lei”. A senadora, então, contestou: “Estava na sua cabeça. Na carta, não”.
3 – Ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro revoga nomeação de Ilona Szabó para Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária após “repercussão negativa”.....para quem e porquê? 
A Cientista Política Ilona Szabó é mestre em estudos de conflito e paz e especialista em segurança pela Universidade de Uppsala (Suécia) e é especialista em redução da violência e política de drogas. Fundadora do Instituto Igarapé, que se dedica a estudar e a elaborar propostas de políticas públicas para a redução da violência. A referida cientista atuou na ONG Viva Rio e foi uma das coordenadoras da campanha nacional de desarmamento. Certamente essa última referência em seu Curriculum foi o estopim das pressões desses segmentos da direita radical que apoia o Governo Bolsonaro. 
Constrangimento para o super Ministro Sergio Moro que ao ser convidado por Bolsonaro – que queria seguramente surfar na popularidade do então Juiz da Operação Lava Jato -  para ser o titular da pasta da Justiça e Segurança Pública (que juntamente com o Ministro da Economia Paulo Guedes) recebeu carta branca do Presidente para montar sua estrutura  no Ministério. Mas a realidade denuncia que não é bem assim. Moro foi obrigado a “desconvidar”, mediante escusas, a notória cientista gerando desconforto de ambos os lados. Se o Ministro Sergio Moro realmente tivesse coragem, aquela que demonstrou várias vezes quando era o titular da Operação Lava Jato, pediria demissão desse governo pastelão e voltaria (não sei se pode) para a magistratura federal ou para a sala de aula a fim exercer o magistério.
Esses três fatos relativamente sem importância, se comprado com os problemas graves que o Brasil apresenta e que são os maiores e mais complexos desafios desse governo. Mas que são de suma relevância, já que desnuda um governo que está de certa forma atirando nos próprios pés. Nas entrelinhas pode-se ler que esse governo ainda está perdido, sem rumo, sem direção. Por enquanto é bom “apertar os cintos, pois o piloto sumiu”. Piloto esse que, quando tentar pilotar a aeronave chamada Brasil entona mais ainda o caldo.
4 – Considerações Finais.
Parafraseando Milton Friedman que repediu inúmeras vezes “em economia não tem refeição de graça”, ou seja, se tem um Fluxo Circular da Riqueza Real, certamente haverá um Fluxo Monetário, inversamente proporcional. Ignorando o paradoxo: racionalidade econômica versus sensibilidade do mercado. Nesse sentido, se um agente econômico de peso como o governo demonstra insegurança, amadorismo e que não sabe para onde caminha, o mercado e seus diversos segmentos, tais como, Bolsa de valores, Taxa de Cambio, Mercado financeiro, Mercado de Importação e exportação, Taxa de Investimento e o Otimismo do empresariado, sentem imediatamente.
Então o governo tem que atinar que ele é a linha mestra da economia, mesmo numa economia que bebe das fontes do Liberalismo Econômico. Em especial esse governo, que tem como titular da Economia um egresso da Escola de Chicago, berço do Neoliberalismo e como Presidente do banco central o neto do bastião do liberalismo Roberto Campos. As autoridades políticas e econômica constituídas tem o dever de saber que cada gesto, cada avanço, cada recuo e as palavra que proferem, tem um peso e repercute no mercado de forma contundente e imediata.
As crises acimas citadas poderiam ter sido atalhadas e consequentemente evitado o desgaste do próprio governo. O mundo corporativo e todos os agentes econômicos, que juntos geram emprego, renda e riqueza agradeceriam. 




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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

O Que o Mercado Espera do Governo de Jair Bolsonaro? | Prof. Semí Cavalcante de Oliveira

Os Índices de Confiança do Empresariado tem oscilado bastante nesse início de 2019. Os vários setores da economia brasileira tem demonstrado confiança no governo Bolsonaro, contudo, as sucessivas crises, que esse governo tem enfrentado – crises essas geradas no seio do próprio governo – tem minado um pouco a crença de que o País esta no caminho da definitiva superação e recuperação econômica. 
Alguns indicadores econômicos revelam que nada mudou de forma expressiva. A Política Monetária responsável em zelar pelo regime de metas de inflação e a taxa básica de juros (Selic) estão nos patamares herdadas do governo Michel Temer. 
E o governo, através do Banco Central (Bacen) perdeu uma grande oportunidade de sinalizar para o mercado que estava disposto a mudanças, uma vez que, o Conselho de Política Monetária (Copom), órgão do Bacen responsável pela definição da Taxa Básica de Juros da Economia, já realizou uma reunião na era Bolsonaro e manteve sua posição conservadora. 
O mercado esperava a manutenção da taxa básica de juros em 6,5% ao ano, contudo, segmentos significativos do mercado sonhavam com uma redução, mesmo que mínima, da taxa Selic. A Selic é a principal ferramenta do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 2018, o indicador fechou em 3,75%, contra 2,95% em 2017. 
Entretanto, o Copom decidiu pela sua manutenção em 6,5 pontos percentuais. O empresário olha com desconfiança, querendo investir, mas, aguardando definições por parte das autoridades econômicas. Nesse sentido, é obrigação do governo apontar um caminho para os investidores, sejam eles, nacionais ou estrangeiros.
No que se refere a Política Cambial, um dos principais pontos do tripé macroeconômicos da economia brasileira. Nesse mote, herdado da lúcida política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso, reina certa paz, uma vez que ele continua flutuante e o Banco Central não dá sinais que vai mudar essa realidade. 
Que continue assim, pois num regime de câmbio flutuante, o câmbio tem que “flutuar” e refletir as certezas e incertezas do mercado, que deve ser soberano. No entanto, o Banco Central tem por obrigação acenar, para esse mesmo mercado, que esta vigilante e que não vai tolerar especulações com a nossa moeda.
O Congresso sabatinou e aprovou, no final de fevereiro de 2019, a nomeação o ultraliberal Roberto Campos Neto para presidir o Banco Central. Se ele possuir um pouco da capacidade e sabedoria do seu avô, o eminente economista Roberto Campos, e, primar pela independência e autonomia dessa instituição, acreditamos que os resultados serão satisfatórios e o mercado vai agradecer.
A Política Fiscal e Tributária requer um debate mais profundo. Que em nossa opinião carece de uma reforma muito mais urgente e necessária que a própria seara previdenciária. Pois a primeira geraria resultados imediatos e a segunda prenuncia uma economia de 1 (hum) trilhão de reais em 10 anos, ou seja, economia de longo prazo. E parafraseando John Mainardes Keynes, “no longo prazo estaremos todos mortos”. 

O mercado reagiria muito bem e seria vital para a retomada do crescimento econômico se o governo demonstrasse agora, no início desse mandato, uma firme e sincera disposição em propor uma reforma nessa área. 


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quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Origem Das Ciências Contábeis | Prof. Samir Bazzi



São vários os autores que consideram como a origem da Contabilidade a publicação da obra La Summa de Arithmetica, Geometria, Proportioni et Proportionalitáde Luca Bartolomeo de Pacioli O.F.M., um frade franciscano, teólogo, matemático e contabilista, em 1494. Porém, Schmidt (2000) deixa bem claro que não é essa a real origem da Contabilidade, apesar de que o Frei Luca Pacioli seja identificado por muitos como o fundador da Contabilidade. Algumas descobertas arqueológicas, que remontam há mais de 6.000 anos, apontam que o homem primitivo já controlava a sua riqueza. E o controle da riqueza, ou do patrimônio, é um dos conceitos basilares da Contabilidade. Sendo assim, a Contabilidade já existe há muito mais tempo do que podemos imaginar. A grande contribuição de Pacioli foi sim a de sistematizar o método contábil, criando uma metodologia clara e precisa para se fazer a escrituração contábil, o chamado “método das partidas dobradas”.
A Contabilidade vem passando por uma evolução ao longo do tempo, acompanhando a evolução da própria humanidade e das necessidades que começaram a surgir. Hoss aponta essa evolução através de uma linha do tempo, onde aponta quatro grandes fases da Contabilidade e as alterações e evoluções que aconteceram, principalmente em relação às informações e ao controle da riqueza gerada e compartilhada. Essa proposição de tempo demonstra a transição do conhecimento rudimentar e empírico para a ciência contábil que conhecemos atualmente.

-       Empirismo ou mundo antigo: inicia com a associação entre a criação da escrita (símbolos autoexplicativos, é claro) e da necessidade das pessoas em controlar as suas posses, com o surgimento da urbanização. A Contabilidade utiliza nessa época desenhos e imagens para identificar a posse, ou seja, é utilizada uma forma extremamente rudimentar (isso se compararmos com os nossos dias, mas tente imaginar a grande inovação que foi isso naquele tempo).

-       Renascentismo ou sistematização: com a expansão marítima e a consolidação da burguesia (lembra-se disso na época em que você estava na escola?) a necessidade de controle, principalmente da informação, demandou novas análises e de modelos de gerência, culminando com o surgimento da Revolução Industrial. Um dos grandes acontecimentos desse período foi a efetiva consolidação da Contabilidade como ciência, principalmente através dos estudos do Frei Luca Pacioli, quando ele passa a divulgar cientificamente o método das partidas dobradas. Vale a pena destacar aqui que não foi Luca Pacioli que criou o método das partidas dobradas, mas sim alguns comerciantes da região da Toscana na Itália. Surge nessa época a contabilidade de custos e a contabilidade financeira.

-       Racionalismo ou literatura: surgem grandes empresas no mundo, com vários sócios, e com isso se consolidam novas áreas contábeis, se destacando principalmente a Auditoria Externa. O raciocínio contábil passa a ser sistematizado, gerando algumas novas teorias, principalmente após a publicação da obra de Francesco Villa, La contabilitá applicata alle amministrazione private e publiche. Se consolida nessa época também a chamada Escola Aziendal, comumente chamada de Moderna Escola Italiana, onde passa a existir uma diferença entre o capital, o patrimônio líquido e o capital social.

-       Contingencialismo ou científico: associa três séries relacionadas ao tempo, analisando a informação contábil através do passado, do presente e do futuro, se preocupando com questões estratégicas e competitivas. O resultado da empresa passa a exercer uma função de destaque, necessitando para isso uma associação com a tecnologia da informação, criando com isso o sistema de informação contábil, onde se torna possível analisar questões econômicas e administrativas. A Escola Norte-Americana passa a desenvolver algumas novas teorias de fundamental importância para a Contabilidade, consolidando com isso a chamada Contabilidade Gerencial.

Analisando essa linha do tempo podemos perceber facilmente que a Contabilidade, começou utilizando a arte do homem primitivo, evoluiu para a técnica dos estudiosos, e atualmente está consolidada como a ciência que controla e interpreta o patrimônio das empresas.

Esse texto faz parte do Capítulo 1 do meu livro “Contabilidade em Ação” publicado em 2014 pela Editora InterSaberes.
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terça-feira, 16 de outubro de 2018

As Eleições, a Economia e o Empresariado

Um quatro eleitoral indefinido (apesar das pesquisas eleitorais apontarem o favoritismo do candidato da direita), um segundo turno do processo eleitoral, que desagrada a maioria dos eleitores. A instituição do voto útil sendo colocada em prática como nunca na história das eleições no país. A esquerda junto com amplos segmentos do centro, buscado o apoio de um eleitorado perdido, e, justificando, “eu sou ruim, mas eles são piores”. E a direita agindo da mesma forma. Isso é valido? Sim, isso é válido e até pode ser até saudável para a democracia. Melhor, mais apropriado e mais saudável para a democracia, seria se a discussão girasse em torno de ideias e propostas, o amadurecimento democrático certamente agradeceria.
Contudo, alguns setores são extremamente sensíveis quando o cenário político e sobretudo o cenário político-eleitoral não se define. Um desses setores é o econômico, onde os termos credibilidade e confiança são fundamentais. 
Quando a confiança do investidor - tanto de curto, médio e longo prazo - e a do empresário ficam abaladas a economia de um país tende a estagnar, sobretudo, por falta de investimento, que acarretara um número considerável de consequências negativas.
Nesse contexto político eleitoral brasileiro de 2018, ainda totalmente indefinido e na disputa candidatos que não se comprometem com reformas estruturais que o Brasil vem carecendo a décadas, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), publicaram uma pesquisa sobre o nível de confiança das micro e pequenas empresas, que são responsáveis por expressivos índices na geração de empregos diretos e indiretos.
De acordo com a pesquisa que demonstrou uma estagnação do índice de confiança e uma visão bastante negativa em relação a economia brasileira dos micro e pequenos empresários. Nem mesmo o Indicador de Condições Gerais, que afere a percepção dos últimos meses, que ficou em 39,8 pontos e o Indicador de Expectativas, que projeta um horizonte vindouro de seis meses, que marcou 59,4 pontos, foram capazes de injetar ânimo e confiança desse segmento do empresariado na economia brasileira. 
Reproduzo abaixo a pesquisa, a metodologia e à reportagem publicada a respeito.
Às vésperas das eleições, confiança da micro e pequena empresa fica estagnada em 51,0 pontos, apontam CNDL/SPC Brasil 
Indicador mostra que empresários têm visão mais negativa sobre a economia do país do que do próprio negócio; 56% estão otimistas com futuro da empresa, mas maioria não sabe explicar razões.
A proximidade com eleições não alterou o quadro da confiança dos micro e pequenos empresários. Dados apurados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostram que o índice registrou 51,0 pontos em setembro frente 51,1 pontos em agosto. A escala do indicador varia de zero a 100, sendo que o resultado observado está muito próximo da marca que separa o ambiente de otimismo e pessimismo dos empresários.

De acordo com o levantamento, a avaliação do atual desempenho da economia tem puxado o indicador para baixo, em contraste com as perspectivas para o futuro da própria empresa e da economia, que apresenta pontuações melhores. Já o Indicador de Condições Gerais, que avalia a percepção dos últimos meses, ficou em 39,8 pontos e o Indicador de Expectativas, que projeta um horizonte futuro de seis meses, marcou 59,4 pontos.
“Os dados mostram que a maioria dos empresários de menor porte está otimista com o futuro, mas ainda em compasso de espera. Alguns indicadores macroeconômicos apresentam sinais de melhora, mas as disputas eleitorais sempre geram incerteza. Isso faz com que a confiança não deslanche, mas também não retroceda aos patamares do auge da crise”, afirma o presidente da CNDL, José Cesar da Costa.
Micro e pequenos empresários avaliam que economia piorou, embora percepção sobre desempenho dos negócios seja menos negativa
Mais da metade (53%) dos micro e pequenos empresários consideram que a economia piorou nos últimos seis meses. Apenas 17% dos entrevistados notaram uma melhora no período. Por outro lado, quando analisado o desempenho do próprio negócio, a percepção é um pouco melhor, já que 24% notaram avanços na sua empresa, enquanto 36% observaram uma piora.
Dentre os que perceberam uma piora em seus negócios, a queda das vendas desponta como principal razão, mencionada por 77% dos entrevistados. Outros 30% destacaram aumento nos preços de matéria prima e produtos, enquanto 10% ainda sentem consequências da inadimplência de seus clientes. Para os que notaram melhora na performance do próprio negócio, mais de metade (61%) disse ter vendido mais no período e 23% atribuem a uma melhora da gestão da empresa.
Mais da metade dos entrevistados mostra-se confiante com futuro da própria empresa e 36% acreditam na melhora da economia
Se o último semestre frustrou a maioria dos micro e pequenos empresários, o indicador mostra que as expectativas para os próximos meses são de otimismo. Em termos percentuais, mais da metade (57%) disse estar confiante no futuro do próprio negócio, ante 11% que demonstrou pessimismo. Entre os que demonstram confiança, a maior parte (29%) novamente afirma fazer uma boa gestão da empresa. Além desses, 27% alegam não saber ao certo a razão de estarem otimistas, apesar de acreditarem que coisas boas irão acontecer.
Pensando na economia, os resultados são um pouco piores, mas ainda há um clima de otimismo: 36% estão confiantes, mas quase a metade (47%) também não sabe justificar os motivos. Além disto, 21% apostam no amplo mercado consumidor e 21% esperam um cenário político mais favorável. Embora a maioria relativa dos entrevistados tenha boas expectativas com relação ao futuro do próprio economia, há os que se consideram pessimistas (24%), principalmente em razão das incertezas políticas (65,6%).
Para 39% dos MPEs, desempenho das vendas foi satisfatório em agosto; 46% acreditam em aumento do faturamento para próximos seis meses.
De acordo com o levantamento, 39% consideram ter tido um bom desempenho de vendas. Para 41%, o resultado foi regular e 18% avaliam como ruim ou péssimo. Em relação às perspectivas para os próximos seis meses, a maior parte acredita que o faturamento irá crescer (46%) e apenas 4% apostam em queda na receita. Já 42% esperam um faturamento igual.
Entre os que têm expectativa de crescimento no faturamento, 32% atribuem essa performance a novas estratégias de vendas. Outros 31% não possuem uma razão concreta, 24% apostam na diversificação do portfólio de produtos para ampliar a receita e 19% pretendem investir na melhoria da gestão. “O segundo semestre tem datas comemorativas importantes para o varejo que devem aquecer as vendas. É natural perceber esse otimismo com relação ao faturamento”, explica o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior.
Ainda segundo a sondagem, 43% conseguiram realizar alguma melhoria no negócio nos últimos seis meses, contra 56% que não conseguiram. As principais melhorias destacadas são: compra de equipamentos (34%), reforma da empresa (32%), ampliação do estoque (28%), qualificação da mão-de-obra (14%) e ampliação do portfólio de produtos (13%).
Metodologia
O Indicador e suas aberturas mostram que houve melhora quando os pontos estiverem acima do nível neutro de 50 pontos. Quando o indicador vier abaixo de 50, indica que houve percepção de piora por parte dos empresários. A escala do indicador varia de zero a 100. Zero indica a situação limite em que todos os entrevistados consideram que as condições gerais da economia e dos negócios “pioraram muito”; 100 indica a situação limite em que todos os entrevistados consideram que as condições gerais “melhoraram muito”. Baixe a íntegra do Indicador de Confiança MPE e a série histórica no link: https://www.spcbrasil.org.br/imprensa/indices-economicos


Prof. Semí Cavalcante de Oliveira 
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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Sobre Gerações - com Isaak Soares (Parte 2)

Saiu a 2ª parte da entrevista com o Professor Isaak sobre gerações!

Clique, assista e adquira mais conhecimento:





Até logo!
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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Sobre Gerações - com Isaak Soares

Para entender as diferenças entre gerações e sua importância para a área do Marketing, a aluna do CST de Marketing, Karine Oliveira, entrevistou o Mestre em Administração e Professor do Unicuritiba: Isaak Soares.

Na primeira parte deste papo foram analisadas duas perspectivas: O que é o estudo geracional e quais são as diferenças que esse estudo pode gerar, quando aplicado em outros países.

Acompanhe o vídeo a seguir e fique por dentro do universo das gerações:




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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A Economia como a Ciência do Governante, Estadista e do Administrador.

As Ciências Econômicas municia o Governante e o Estadista a tomar decisões que influenciam a vida de milhões de pessoas. É a partir de cenários e projeções econômicas que os políticos avaliam, ou deveriam avaliar, se suas decisões podem promover a estabilidade geral da economia de seu país, se o crescimento econômico pode gerar desenvolvimento ou se tais medidas vão impactar na geração de emprego e renda para a população.
Essa análise pode ser levada também para o mundo corporativo. Na firma o Administrador deve ter, da mesma forma que o Estadista, o conhecimento na área econômica e seguramente uma equipe de economistas para suportar suas decisões.
Quando observamos a história econômica de um país e seu desenvolvimento é razoável analisar os principais bens e serviços produzidos e oferecidos nessa região, e o que levou à sua produção, como ocorreram seus ciclos e assim tomar as melhores decisões para investir no presente e futuro.
No Brasil, um número significativo dos cursos de administração oferta a seus discentes disciplinas relacionada à Formação Econômica do Brasil e Economia Brasileira. Quando se deparam com elas esses estudantes interrogam o que o estudo de toda essa teoria econômica e histórica pode agregar em sua formação como administrador.
Pode-se afirmar que através da história é que podemos entender o atual momento econômico de uma nação. E é imperativo afirmar também que todas as firmas são afetadas pelas políticas macroeconômicas implantadas pelas autoridades econômicas. O. Nesse sentido, são impactadas pela economia geral do país. Assim sendo, é de fundamental importância que os administradores adquiram conhecimento sobre o momento econômico e sua história.
O conhecimento de Política Monetária, Cambial e Fiscal são tópicos essenciais para a sobrevivência de uma corporação, além de, políticas anti-inflacionárias,  os principais produtos de exportação e importação, que tem a ver com Balança Comerciale consequentemente com Balanço de Pagamentos, os principais setores em que o país cresceu e se esse crescimento gerou desenvolvimento, que pode abrir um novo nicho de mercado e consequentemente uma expansão das atividades da empresa.
A taxa de câmbio é, de acordo com a teoria econômica, o preço de uma moeda estrangeira medido em unidades ou frações da moeda nacional. No Brasil hoje, essa taxa é definida pelo mercado e apenas acompanhada e divulgada pelo Banco Central, mas em outros momentos da nossa história econômica, essa taxa foi definida pelo governo, como por exemplo, durante a implantação do Plano Real ( 1993/4 até 1999), também é significativo citar o período da Era  Vargas ( 1930 – 1945). 
Para os administradores de empresas é muito importante saber o valor da taxa de cambio. Primeiramente as empresas que atuam na área de exportação/importação, pois, a taxa pode fazer com que os seus produtos fiquem mais caros ou mais baratos para os compradores externos e internos, podendo então ter como consequência o aumento ou diminuição da demanda. Evidente que isso também depende de outras variáveis, tais como, da elasticidade da demanda do produto, outro conceito econômico. 
A taxa não é importante apenas para as empresas exportadoras, que vendem seus produtos em outros países. O cambio também é fundamental para as firmas importadoras, pois, dependendo dos preços de importação o mercado interno pode sofrer variações significativas e afetar as taxas de inflação. 
Nesse contexto, Inflação pode ser definida como o aumento contínuo e generalizada no nível geral de preços, o que significa que o valor real da moeda é depreciado. Assim sendo, muitas das decisões tomadas pelas autoridades econômicas para manter a estabilidade dos preços, e essas medidas podem variar de governo para governo e que certamente vão impactar em diversos fatores produtivos. 
Nesse sentido, o administrador deve ficar precavido às mudanças inflacionárias e as medidas que estão sendo tomadas pelas autoridades constituídas para conter a pressão inflacionária, assim como a todas as decisões na área econômica, com o intuído de definir suas políticas internas, tais como, estoque, política salarial, a política creditícia aos clientes e aos fornecedores e a todo o fluxo normal de uma corporação.

Prof. Semí Cavalcante de Oliveira                    
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